10/06/09
22/05/09
A ORELHA DE VAN GOGH
O que ele sabia era sua coleção de selos. O que ele sabia ele falava. E falava sobre qualquer assunto. Mas falava pouco. Se o assunto era política, falava uma frase de efeito de Noam Chomsky. Sobre Bush, ou sobre Obama, não importava. O importante era o efeito da frase. Futebol? Ainda era o ópio do povo. Povo? A frase de Max Weber ainda era imbatível. Às vezes trocava nomes. Dizia Henri Rousseau. Depois ficava repetindo baixinho, para si, Henri... Henri... Devagar repetia várias vezes a frase e, como coda, o autor, Henri, Henri... Até lembrar-se. E admitir, para si, que a memória já não era a mesma.
Postado por
D. Lê
às
10:18:00
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